Bolsa brasileira suspende operações pela segunda vez no dia como reação à crise do coronavírus

‘Circuit breaker’ foi acionado primeiro às 10h20 e depois às 11h12, quando o Ibovespa despencou mais de 15%. Dólar comercial começou a quinta-feira ultrapassando a marca de 5 reais.

Heloísa MendonçaSão Paulo – 12 mar 2020 – 10:30BRT

Mais um dia de pânico no mercado financeiro. A Bolsa de Valores brasileira acionou pela segunda vez no dia o mecanismo de circuit breaker, quando as operações são suspensas, após o Ibovespa despencar mais de 15% às 11h12. Nesta quinta-feira, os operações da Bolsa abriram em forte queda e foram paralisadas por trinta minutos, num primeiro momento, às 10h20, quando o Ibovespa tombou 11,65%, aos 75.247 pontos. Já no segundo circuit breaker a suspensão foi mais longa, durou 1 hora. Esta já é a quarta vez que o mecanismo é acionado em quatro dias, refletindo a piora da percepção dos impactos do coronavírus. Por volta das 14h, o Ibovespa chegou bem perto do terceiro circuit breaker, ao despencar 19,59%. As perdas foram amenizadas, no entanto, após o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) anunciar uma oferta de 1,5 trilhão de dólares por meio de operações de recompra de títulos para dar liquidez e alívio aos mercados.

Várias ações puxam o índice brasileiro para baixo. A Petrobras recua mais e 20% e as aéreas tomam tombos ainda maiores. Azul PN caía 29% e Gol PN perdia 35%. O movimento acompanha o dia ruim das bolsas internacionais, onde os mercados despencam após a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciada na noite de quarta, de proibir viagens da Europa para os Estados Unidos por 30 dias. A Bolsa de Nova York também desabou na abertura e interrompeu as operações por 15 minuto após o índice S&P 500 recuar 7%. Já as bolsas da Europa levaram um tombo de 11% e encerraram o pregão com a maior queda diária da história.

O nervosismo do mercado financeiro também teve forte impacto no câmbio. O dólar comercial começou a quinta-feira em alta de 6%, ultrapassando pela primeira vez a marca de 5 reais, após novo dia de caos no mercado financeiro em meio ao anúncio de Trump e de pandemia de coronavírus pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A moeda já havia fechado a quarta-feira em alta de 1,61% frente ao real, a 4,72 reais. No fim da manhã, a moeda americana descabelou a alta e subia a 3,5%, a 4,88 reais após uma atuação mais forte do Banco Central com leilões de dólares em moeda à vista.

O dólar turismo, aquele utilizado para compra em caso de viagem, já havia alcançado essa espécie de barreira psicológica, sendo negociado na abertura de hoje a 5,18 reais, uma alta de 3,3%. O ministro da economia Paulo Guedes afirmou na semana passada que apenas caso o Governo fizesse “muita besteira” a moeda norte-americana atingiria este patamar. “É um câmbio que flutua. Se fizer muita besteira pode ir para esse nível [5 reais]. Se fizer muita coisa certa, ele pode descer”, afirmou. Com o salto desta quinta, o avanço no ano chega a cerca de 23%.

Nesta quarta-feira, depois da equipe econômica revisar de 2,4% para 2,1% a estimativa para o crescimento da economia brasileira para 2020, Guedes afirmou que o resultado pode ser ainda pior por causa da pandemia do coronavírus. No pior cenário, o PIB seria de 1%. Mas o ministro disse que o cenário mais realista é de um avanço da atividade de 1,8% neste ano “Se, ao contrário, a pandemia tomar conta do Brasil e nós não fizermos as nossas reformas, pode chegar até 1%”, disse ele em reunião com parlamentares na noite desta quarta-feira segundo a Folha de S.Paulo.