Policial civil gaúcho se torna porta-voz da LEAP

diego_souzaDiego Souza Ferreira, Inspetor de Polícia da Polícia Civil do RS, bacharel em direito, lotado no Departamento Estadual de Investigações do Narcotrático-Denarc, é o primeiro policial civil do Rio Grande do Sul a se tornar porta-voz da Law Enforcement Against Prohibition – LEAP Brasil.

Diego também foi nomeado como conselheiro do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas (CONED), tendo como suplente o inspetor Leonel Guterres Radde.

Criada em 16 de março de 2002, a LEAP é formada por integrantes das forças policiais e da justiça criminal (na ativa e aposentados) que falam claramente sobre a falência das atuais políticas de drogas. Essas políticas falharam – e continuam falhando – em efetivamente lidar com os problemas do abuso de drogas – especialmente seu uso por adolescentes –, com os problemas da dependência e com os problemas da criminalidade causada pela existência de um criminalizado mercado clandestino de drogas.

Na visão da entidade, continuando a combater a chamada “Guerra às Drogas”, os governos têm agravado os problemas sociais ao invés de reduzi-los. Um sistema de regulação e controle dessas substâncias (o controle governamental substituindo o atual sistema de controle do mercado clandestino) será uma política pública menos danosa, menos custosa, mais ética e mais eficaz.

“Durante quase quatro décadas os EUA abasteceram sua política de guerra às drogas com mais de um trilhão de dólares de impostos e crescentes políticas punitivas. Efetuamos mais de 39 milhões de prisões por crimes não violentos relacionados a drogas. Nossa população carcerária quadruplicou em vinte anos, fazendo com que a construção de prisões se tornasse a indústria de mais rápido crescimento nessa nação. Mais de 2 milhões e 300 mil de nossos cidadãos estão atualmente em prisões federais, estaduais ou locais, número per capita muito superior a de qualquer outro país do mundo. Os Estados Unidos têm 4,6% da população mundial, mas 22,5% dos presos do mundo. Cada ano em que optarmos por continuar essa guerra custará aos Estados Unidos mais 70 bilhões de dólares. Apesar de todas as vidas que destruímos e de todo o dinheiro tão mal empregado, hoje, as drogas ilícitas estão mais baratas, mais potentes e mais facilmente acessíveis do que há 39 anos, quando do início da guerra às drogas. Enquanto isso, pessoas continuam a morrer nas ruas, ao mesmo tempo em que barões da droga e terroristas vão se tornando mais ricos do que nunca”, salienta texto divulgado no site da LEAP.

A missão da LEAP é reduzir os inúmeros danos resultantes da guerra às drogas e diminuir a incidência de mortes, doenças, crimes e dependência, pondo fim à proibição das drogas. Os objetivos são: (1) informar o público, a mídia e os políticos sobre a falência da atual política de drogas, mostrando-lhes um retrato verdadeiro da história, das causas e dos efeitos do uso de drogas e dos elevados índices de criminalidade relacionados mais propriamente à proibição do que às drogas em si mesmas; e (2) restaurar o respeito público aos integrantes das forças policiais, que tem se reduzido consideravelmente por seu envolvimento na imposição da proibição das drogas.

A principal estratégia da LEAP para cumprir esses objetivos consiste na criação de um crescente quadro de porta-vozes, composto por ex-combatentes da guerra às drogas bem informados e articulados, que descrevam o impacto das atuais políticas de drogas sobre: as relações polícia/comunidade; a segurança de policiais e suspeitos; a corrupção policial e outros desvios de conduta; e os excessivos custos financeiros e humanos decorrentes das atuais políticas de drogas.

A LEAP é uma entidade educativa internacional sem fins lucrativos e isenta de impostos, com sede nos Estados Unidos, inspirada nos Veteranos do Vietnam contra a Guerra. Eles tinham uma incontestável credibilidade quando clamavam pelo fim daquela guerra terrível. A LEAP tem a mesma credibilidade quando seus atuais e ex-combatentes da guerra às drogas falam dos horrores da Guerra às Drogas.