Precipitação no fim do revezamento coloca Policiais Civis em risco

Nesta segunda-feira, a UGEIRM recebeu a comunicação de que o revezamento nas Delegacias de Polícia e Departamentos, seria suspenso nessa terça-feira (13). Com isso, os (as) Policiais Civis retomam seu horário de trabalho normal já a partir de hoje. Apesar do início da vacinação da categoria na semana passada, o nosso estado ainda continua em bandeira preta, tornando totalmente injustificável e precipitado esse retorno das atividades.

Imunização completa só acontece 14 dias após a aplicação da 2ª dose

Desde o início da Pandemia, em quase todos os seus pronunciamentos, o governador Eduardo Leite afirma que todas as decisões do seu governo se baseiam única e exclusivamente na ciência. No entanto, no caso do final do revezamento na Polícia Civil, o governo está indo contra todas as recomendações dos cientistas. Os estudos feitos, até agora, apontam que, no caso da AstraZeneca (imunizante utilizado na vacinação da Polícia Civil), somente no 22º dia após a aplicação da 1ª dose é alcançada uma imunização parcial contra a Covid-19, com uma proteção de até 64,01%. É importante ressaltar, que a imunização máxima só é obtida 14 dias após a aplicação da segunda dose.

No caso dos (as) Policiais Civis gaúchos (as), a vacinação da categoria aconteceu na semana passada, encerrando-se na sexta-feira (9). Portanto, esses profissionais continuam expostos ao contágio pela Covid-19, só estando completamente protegidos após a aplicação da segunda dose. Sabendo disso, o mínimo que se espera do governo, é que a retomada dos trabalhos aconteça quando, pelo menos, a 1ª dose comece a fazer efeito, ou seja, no dia 1º de maio.

Ao retomar as atividades normais nas Delegacias agora, o governo do estado está expondo os (as) Policiais Civis a um risco totalmente desnecessário. No momento em que a pandemia se agrava, com a possibilidade do pior mês desde o seu início, essa atitude pode jogar por terra todo o esforço feito para garantir a vacinação dos profissionais da segurança pública. A atitude correta, que a UGEIRM está requisitando à Chefia de Polícia, é a de manter o revezamento até que se complete o ciclo de três semanas, recomendado pelos cientistas.

A vida dos (as) Policiais Civis é mais importante do que as planilhas do Qualificar

Não existe justificativa para a retomada dos trabalhos da polícia neste momento. Mesmo com o revezamento, os serviços prestados à população foram mantidos, sem nenhum prejuízo para a segurança no nosso estado. Uma prova disso, são os índices de criminalidade no RS, todos em queda acentuada. A realização de algumas atividades burocráticas pode esperar 20 dias, enquanto a garantia da vida de um (a) policial é inadiável.

A UGEIRM não está reivindicando nenhum privilégio para os (as) Policiais Civis, o que o sindicato pede, é que a retomada dos trabalhos da polícia seja feita respeitando os protocolos sanitários, respaldados pelos estudos científicos. A volta ao trabalho deve ser feita com toda a prudência, sob o risco de jogar por terra os esforços pela vacinação da categoria.

Priorizar a proteção da vida dos Policiais Civis, em detrimento de algumas planilhas, deve ser encarado pelo governo como um compromisso com a população gaúcha. Infelizmente, essa priorização não tem sido a realidade, como demonstram os constantes atrasos na publicação das promoções e a manutenção das celas superlotadas nas delegacias do estado. A direção da UGEIRM vai continuar cobrando do estado esse compromisso com os policiais civis e com a ciência. A vida dos profissionais da segurança pública não pode ser colocada em risco pela precipitação do governo.